domingo, 30 de março de 2008

FICHAMENTO V- Antropologia Brasileira

Hollanda, Sérqio Buarque de [1936] Raízes do Brasil, Rio de Janeiro, Liv. José Olympio Editora, 7ª ed, 1973. Fichamento do capítulo 5 (“O homem cordial”).

Inicia fazendo a distinção entre Estado e Família: “O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos agrupamentos(...)Não existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma oposição”.(Pág. 101)

Crítica ao moderno: “Foi o moderno sistema industrial que, separando os empregadores e empregados nos processos de manufatura e diferenciando cada vez mais suas funções, suprimiu a atmosfera de intimidade que reinava entre uns e outros e estimulou os antagonismos de classe”.(Pág. 102)

Preocupação com a coesão social frente à modernidade: “A crise de adaptação dos indivíduos ao mecanismo social é, assim, especialmente sensível no nosso tempo devido ao decisivo triunfo de certas virtudes antifamiliares por excelência, como o são, sem dúvida, aquelas que repousam no espírito de iniciativa pessoal e na concorrência entre os cidadãos”.(Pág. 104)

Não era fácil aos detentores das posições públicas(...)a distinção fundamental entre os domínios do privado e do público. Assim, eles se caracterizam justamente pelo que separa o funcionário “patrimonial” do puro burocrata conforme a definição de Max Weber”.(Pág. 105)

No Brasil a família foi a esfera mais desenvolvida da vida social: “Dentre esses círculos, foi sem dúvida o da família aquele que se exprimiu com mais força e desenvoltura em nossa sociedade(...)núcleo familiar – a esfera, por excelência dos chamados “contatos primários”, dos laços de sangue e de coração – está em que as relações que se criam na vida doméstica sempre forneceram o modelo obrigatório de qualquer composição social entre nós”.(Pág. 106)

Homem cordial: “Já disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade – daremos ao mundo o “homem cordial””.(Pág. 106)

Polidez como preservação: “Nossa forma ordinária de convívio social é no fundo, justamente o contrário da polidez. Ela pode iludir na aparência(...)de peça de resistência. Equivale a um disfarce que permitirá a cada qual preservar inatas sua sensibilidade e suas emoções”.(Pág. 107)

Característica do “homem cordial” - desejo pela intimidade: “A manifestação normal do respeito em outros povos tem aqui sua réplica, em regra geral, no desejo de estabelecer intimidade”.(Pág. 108)

Relações pessoais: “Um negociante da Filadélfia manifestou certa vez a André Siergfried seu espanto ao verificar que, no Brasil como na Argentina, para conquistar um freguês tinha necessidade de fazer dele um amigo”.(Pág. 109)

Quanto à religião católica, o rigorismo se adapta: “No Brasil é precisamente o rigorismo do rito que se afrouxa e se humaniza”.(Pág. 110)

Só por obra externa para quebrar esse jugo: “Assim, nenhuma elaboração política seria possível senão fora dela, fora de um culto que só apelava para os sentimentos e os sentidos e quase nunca para a razão e a vontade. Não admira pois, que nossa República tenha sido feita pelos positivistas, ou, agnósticos e nossa Independência fosse obra de maçons”.(Pág. 111)

Coesão do brasileiro: “A vida íntima do brasileiro nem é bastante coesa, nem bastante disciplinada, para envolver e dominar toda a sua personalidade, integrando-a, como peça consciente, no conjunto social. Ele é livre, pois, para se abandonar a todo o repertório de idéias, gestos e formas que encontre em seu caminho, assimilando-os freqüentemente sem maiores dificuldades”.(Pág. 112)

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