domingo, 30 de março de 2008

FICHAMENTO IV- Antropologia Brasileira

Rodrigues, Nina. “O Brasil antropológico e étnico” In: As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil, cap. IV, pp. 83-103, Rio de Janeiro, Livraria Progresso Editora [1894] 1957.

“No ponto de vista histórico e social penso com o Dr. Silvio Romero: todo brasileiro é mestiço, senão no sangue, pelo menos nas idéias”.(Pág. 83)

“...elementos psicológicos puros não cruzados”.(Pág. 84) – isto é, que é parte da minoria de elementos puros

“a) a raça branca, ... brancos crioulos não mesclados e pelos europeus... ”.(Pág. 84)

“b) a raça negra, .... poucos africanos que ainda existentes no Brasil.... ”.(Pág. 84)

“c) a raça vermelha, ou indígena... ”.(Pág. 84)

Apresenta a distinção de classes ou grupos que adotou em seu estudo da população mestiça, faz uma classificação.

“Os mestiços compreendem:

“1o os mulatos, produto do cruzamento do branco com o negro, grupo muito numeroso...a) mulatos...; b) mulatos claros...; c) mulatos escuros...;

“2o os mamelucos ou caboclos, produtos do cruzamento do branco com o índio...;

“3o os curibocas ou cafusos, produtos do cruzamento do negro com o índio...;

“4o os pardos, produto do cruzamento das três raças e proveniente principalmente do cruzamento do mulato com o índio, ou com os mamelucos caboclos. ”.(Pág. 85-6)

“A situação atual é a seguinte.

“Em certos estados...as raças puras ameaçam desaparecer ou diluir-se no mestiçamento.”.(Pág. 88)

Reitera argumentos de Silvio Romero, mas chega ao momento de declarar diferenciação entre seu pensamento: “Admitindo, como admito, a população brasileira assim dividida em grupos étnicos distintos, consoantes com as proporções variáveis em que entraram em sua composição as três raças puras, afasto-me definitivamente do Dr. Silvio Romero, a cujos importantes trabalhos na espécie devo ensinar-vos a render o devido e merecido respeito.

Não acredito na unidade ou quase unidade étnica, presente ou futura, da população brasileira...considero pouco provável que a raça branca consiga fazer predominar o seu tipo, em toda a população brasileira. ”.(Pág. 90)

“....quão pouco uniforme etnologicamente é e será o Brasil. ”.(Pág. 91)

“Mas não vejo razão para se acreditar que o futuro há de pertencer ao branco e não ao mulato”.(Pág. 92)

Ao rebater os argumentos de Romero: “Destes preceitos, conclui-se facilmente que o autor não confia na expansão demográfica da raça branca abandonada aos seus próprios recursos... ”.(Pág. 93)

Questiona o argumento de S. Romero que diz: “ “O mestiço é a condição da vitória do branco, fortificando-lhe o sangue...”

Ora, acaso a raça branca precisa desses recursos, carece do auxílio do mulato para adaptar-se, para desenvolver-se no sul da república?”.(Pág. 93)

E com os próprios argumentos de S. Romero, constrói seu argumento: “É ainda o Dr. Silvio Romero quem nos ensina, até certo ponto de acordo com Orgeas, que em contacto com o branco, o negro não se civiliza, mas também não se extingue”.(Pág. 95)

“...nesta primeira região, duas raças puras ainda existem...uma, a negra, é perfeitamente adaptável; a outra, a branca, é de uma adaptação mais difícil....como nestas condições a raça que tende a predominar é a mais adaptável, receio deve ser que a reversão à raça pura não seja em favor da raça negra... ”.(Pág. 95)

“A distinção etnológica que estabeleço entre as duas regiões do sul, procura o seu fundamento natural em que, no extremo sul, o elemento negro é muito insignificante e predomina o elemento germânico; no centro, o negro é numeroso e predomina a imigração ítalo-portuguesa”.(Pág. 96-7)

Sobre a baixa influência no negro no norte do Brasil, também argumento para dialogar com S. Romero: “Do estudo da língua, das crenças e das tradições populares aqui, ressalta em toda a evidência a inferioridade desse elemento e a supremacia das raças indígenas”.(Pág. 98)

“Não será, portanto, o branco quem há de provavelmente desalojar o índio, porque o clima que já impede a imigração européia para o norte, não deixará de faze-lo para o Pará e o Amazonas”.(Pág. 99)

Ao contar com a migração de nordestinos para o norte, que já ocorria naquela época: “Provavelmente à população mestiça está reservada a missão de levar consigo, na sua lenta expansão demográfica, a civilização e a cultura européia ao extremo norte e ao oeste”.(Pág. 99)

“Prevejo que se possam argüir duas principais objeções à divisão etnológica do Brasil, que adotei e expus....Primeiro, que mesmo nas zonas descritas não existe uniformidade étnica; segundo, que seja esse apenas o aspecto atual, e todo de ocasião, do país, sem probabilidade de uma confirmação futura”.(Pág. 100)

Divisão do país, com base em S. Romero: “ “...A zona quente admita uma divisão geral: a) as terras mais ou menos pantanosas das costas, as do grande vale do Amazonas e do Paraguai, onde reinam as moléstias hepáticas e as febres palustres; b) a região sertaneja, compreendendo todo o interior norte do país, o teatro das secas. A região fresca também sobre uma divisão: a) as três províncias meridionais, onde vagueia o minuano frio e ríspido; b) as terras altas das províncias intermediárias, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas...não tem o valor e a uberdade do norte nem a esterilidade relativa dos terrenos do sul”.(Pág. 101)

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