sexta-feira, 4 de abril de 2008

Os cursos do emprego

A movimentação na região industrial de Niterói é grande e é a prova do crescimento que o setor naval tem tido nos últimos anos. Isso é bom. Espectativa de aumento nos empregos, mais desenvolvimento para a cidade, maior crescimento fluxo para os comerciantes, e é evidente que quem ganha mesmo são os patrões, donos das indústrias. Quem deu o empurrãozinho para esse trem, ou melhor, esses navios e plataformas, andarem? Substancialmente foram os investimentos do governo, via BNDES, ou através da empresa semi-estatal, Petrobrás, que só até final de 2005 já investira mais de 8 bilhões de reais na construção de plataformas.

O que há de errado nisso tudo?

Aparentemente muita coisa.

Primeiro é estranho ver tantos recursos públicos investidos em um ente privado, sendo que essa vitalização é fruto, em grande parte, do próprio dinheiro público; então esse ente deveria também ser público, estatal, empresa pública sob controle dos trabalhadores que nelam produzem!

Além disso, quem observa de fora e vê todas as manhãs várias pessoas com pastas na mão esperando uma vaga, logo acha que há mais gente fora do que dentro. Na verdade assistimos a um grande desemprego na sociedade, mas o setor da indústria metalúrgica naval é um dos que mais empregam no Rio de Janeiro. Portanto há uma estratégia capciosa dos patrões, via RH: a rotatividade - é interessante para a empresa que haja muita gente na espera, que os que estão dentro tenham temor pelos que estão de fora (assim a possibilidade de reclamarem por salário é menor), até pessoas de outras cidades é algo bom para a empresa - pois esse pode vir de um lugar onde se paga menos do que no Rio e estar disposto a aceitar um salário baixo, e até pelo fato de estar com o objetivo e esperança de trabalhar e só fazer isso, longe de família e amigos, muitas vezes.

Desse problema surgem alguns cânceres. Pessoas mal intencionadas que burlam a carteira para que as pessoas dêem comprovação de que não são inesperientes, já que a experiência é um dos requisitos fundamentais para conseguir uma vaga. Mas agora, como alguém que nunca trabalhou terá uma oportunidade, ou aqueles que fizeram um curso? A propósito, outro câncer é a proliferação de cursos profisionalizantes, são diversos que surgiram, caros e não garantem que o estudante terá uma oportunidade na empresa; isto é, ao invés de existir uma integração entre empresa-escola - onde o estudante já fosse encaminhado para as empresas - por fim ele(a) acaba ficando ao léu, nem ao menos recuperando o dinheiro investido. Aqui há um problema fundamental: essas escolas deveriam ser públicas, pois o Estado precisa qualificar seus trabalhadores, pois precisa construir sua própria tecnologia e autônomia. Diferente disso, o governo quando não fica à mercê do imperialismo norte-americano ou europeu, é lacaio da burguesia, que usa o governo para expropriar os trabalhadores.

Tudo bem que deveria haver mais fiscalização quanto ao problema das carteiras forjadas. Mas isso é fruto do desespero das pessoas para terem um emprego, acabam tendo que pagar um suborno para daí terem a oportunidade do serem selecionadas, depois de um teste prático. Fiscalização não resolveria o problema dos trabalhadores. O que resolve é emprego pra todo mundo. E salário justo para o trabalhador, se o mínimo segundo na Constituição Federal, calculado pelo Dieese é de R$ 1562,25 então esse deve ser o salário mínimo para todos, quer dizer que se a pessoa recebe 3 salários, ela deve receber 3 vezes R$ 1562,25. Essa deve ser a luta dos trabalhadores: por mais empregos e por salário com base no mínimo da Constituição Federal brasileira.

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