sexta-feira, 4 de abril de 2008

DEMOCRACIA CULPADA

A retórica mais utilizada para o governo se esquivar das suas responsabilidades é culpando a tal da democracia. Um exemplo é o artigo do atual Ministro da Justiça – Tarso Genro, no jornal Folha de São Paulo(15/04), ao constatar que a democracia – pela sua pluralidade de interesses, ou “como jogo aberto para todos e no qual todos, de algum modo, podem ser vencedores”[trecho do artigo] – acaba aceitando a polícia privada como fruto do citado regime político: “Quando uma parte significativa do povo (aquele colegiado aberto que detém a soberania) começa a aceitar como natural que grupos privados lhe dêem mais segurança do que o próprio Estado, é porque estamos chegando no limite.” [trecho do artigo]. Realmente, o limite já está sendo esgotado. Não só o da barbárie instalada nesse país, sobretudo nas grandes cidades; mas o do desemprego, precariedade da saúde e da educação... e de todas a invenção de discurso para manter o jogo da burguesia.

Tarso G., dito estudioso de Lênin, não deve ter lido uma obra central do revolucionário russo: O Estado e a Revolução. Escrito no pródromo da Revolução Russa em 1917 deixa muito claro o sentido da democracia num regime de Estado burguês. Ou seja, é possível considerar que o regime de republica democrática(como na maioria dos países ocidentais hoje) seja o ‘menos pior’ no capitalismo, mas ainda assim, essa falsa democracia serve para um discurso de interesses. Tanto que na revolução ao instalar-se a ditadura do proletariado, o esquema é: democracia para o proletariado; ditadura para a burguesia. Lênin pensava que a democracia pelas instituições burguesas em relação à democracia direta dos soviets, poderia soar como conciliação de classes, e, por assim dizer, insustentável na ditadura do proletariado. Ao ler Engels, analisa que se o Estado é o produto irreconciliável das classes, não é possível fazer democracia a partir de instituições por ele criada. Ou seja, o papo de democracia para o povo no sistema capitalista é balela. Pode ajudar os trabalhadores a jogar contradições no sistema, como exemplo: ao contestar a constituição federal do país frente a realidade - o salário mínimo que deveria ser de R$ 1562,25, progressiva universalização do ensino, saúde para todos, entre outros direitos conquistados e não efetivados na prática.

No Brasil isso é muito claro, democracia no uso dos ‘blablablás’ de toda a representação da burguesia no governo. Serve para colocar como povo, não os trabalhadores numa visão de classe; mas sim seguindo a mesma linha de FHC: povo são os banqueiros, latifundiários, a mídia burguesa, grandes empresários, e lá no cantinho, talvez – o resto.... Daí é fácil dizer que há uma aceitação da polícia privada, pois o povo o quer, ou como Tarso Genro colocou em seu artigo, sobre os futuros programas do governo sobre a violência: “É natural, por isso, que elas tenham forte acolhimento na consciência média da cidadania e larga simpatia dos meios de comunicação. Lamentavelmente, no entanto, é previsível que, no máximo, elas mantenham a situação como está.” Além de pregar o conformismo, deixa a entender que é preciso do aval da mídia para os programas darem certo.

O texto de Tarso Genro e toda a prática do governo Lula mostra a degeneração. Não só pela política de alianças com a burguesia, pelos partidos burgueses; mas a profunda degeneração do PT. O combate no congresso do PT, desmascarar essa máscara retórica da elite governante(o próprio PT e seus braços acolhedores perante a burguesia). E mais ainda, dialogar com a base do PT e de todos os outros grupos e partidos, pela construção de uma esquerda unificada. O Núcleo Socialista de Base é uma genial idéia para isso. E que um dos frutos seja a construção de um Partido Operário Revolucionário.

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